quinta-feira, 3 de julho de 2014

Doping genético

A medicina do esporte vem se desenvolvendo muito movida pelo objetivo de melhorar o desempenho principalmente nos esportes de alto rendimento. Dentro dessa evolução estão incluídos os métodos ou substâncias que aprimoram as capacidades orgânicas do ser humano a um nível superior ao fisiológico – Doping.
O doping pode ser compreendido como a utilização de substância ou método que possa melhorar o desempenho esportivo, indo contra a ética esportiva em determinado tempo e lugar, com ou sem prejuízo à saúde do esportista e surge do deliberado desejo de melhora de desempenho, mesmo que para isso o atleta tenha que violar princípios que regem a pratica profissional de esportes.
Muito tem se falado sobre o uso da tecnologia no esporte e dentre essas inovações uma das mais interessantes é o doping genético. Este, surge das pesquisas avançadas na área da terapia gênica e tecnologias biomoleculares que usam o conjunto das técnicas de manipulação do DNA, RNA e/ou proteínas para tratamento de disfunções do organismo. Segundo a Agência Mundial Antidoping (WADA – World Anti-Doping Agency) o doping genético é entendido como o uso para fins não terapêuticos de genes ou células manipuladas com o potencial de aumentar a capacidade física ou mental do atleta, e está incluído desde 2003 na lista de substâncias e métodos banidos pela própria agência.
Para controle dessa forma de manipulação foram mapeados os genes que estariam relacionados com características ideais para resultados esportivos, totalizando mais de 140 genes envolvidos. Dentre eles os mais conhecidos são: EPO, responsável pela produção de eritropoietina, que é o principal regulador da produção de células vermelhas, com função de promover a diferenciação destas células e o início da síntese de hemoglobina; sendo a administração de EPO uma das formas de aumentar o transporte de oxigênio e, consequentemente o desempenho esportivo em modalidades de longa duração. Outro é o IGF-1 (Fator de crescimento semelhante a insulina) que permite a ação do hormônio de crescimento (GH) por ser mediador de muitos, se não de todos, os efeitos desse hormônio que  promove a hipertrofia através de um aumento na síntese proteica e proliferação de células satélites, o que leva ao aumento da massa muscular e força. Talvez o mais promissor deles seja o GDF-8, que é um gene responsável pela codificação da miostatina, uma proteína de controle e manutenção da massa muscular esquelética, ou seja quanto maior for sua expressão maior será a dificuldade em conseguir ganhar massa muscular. Além disso, a terapia gênica oferece um caminho promissor na recuperação de tecidos de baixa capacidade regenerativa, tais como tendões, cartilagens e músculos esqueléticos, facilitando a recuperação de rompimentos de ligamentos cruzados (anterior e posterior), meniscos, lesões em cartilagens, e calcificação óssea tardia. Analisando cientificamente a terapia gênica e o doping genético, de fato, ocorrem por procedimentos idênticos, porém com finalidades diferentes, sendo desse modo de certa forma insensato a inserção de material genético em indivíduos saudáveis, uma vez que as técnicas de terapia gênica ainda estão sendo estudadas e estão proibidas no esporte.
O esporte deve sempre premiar aquele que tiver o melhor desempenho em cada modalidade, porém é importante lembrar que uma competição só deve ser validada quando ocorre de forma justa. Dessa forma, seja qual for o tipo de doping deve ser mantido longe do meio esportivo!
 fonte: SNC Seg, 13 de Agosto de 2012

O doping genético desafia os cientistas

  Muitos especialistas já dão como certo que a próxima batalha do Comitê Olímpico Internacional será o controle do doping genético. O doping genético é a alteração genética dos atletas para melhora do desempenho nas provas.

Apenas no ano de 2003 é que a Agência Mundial Antidoping (Wada) inclui o doping genético como prática condenada no esporte. Apesar de ser uma prática relativamente nova, esse tipo de doping possui várias curiosidades.
No doping comum, o atleta ingere substâncias que lhe darão mais velocidade, mais resistência, ou seja, seus resultados serão melhores. No doping genético, o atleta utiliza métodos para alterar e transformar os genes responsáveis pelas habilidades requeridas no esporte. Na prática do esporte, essas habilidades podem ser atribuídas aos músculos. Para melhorar o seu desempenho, o atleta deve ter músculos mais fortes, mais rápidos e principalmente músculos que se recuperem depois de treinamentos.
Uma das substâncias mais famosa nesse tipo de doping é a eritropoietina, EPO. Trata-se de um hormônio secretado pelo rim que estimula a produção de células vermelhas do sangue. Essas células vermelhas são chamadas de hemoglobina e têm a função de transportar oxigênio pelo sangue. O hormônio sintético de EPO elevará os níveis de hemoglobina no sangue e mais oxigênio chegará aos músculos. Com a abundância de oxigênio, a produção de energia na forma aeróbica é alta, melhorando o desempenho do atleta principalmente nas provas de resistência.
Mas nem tudo são maravilhas. O doping genético pode ser muito perigoso para a saúde. Há vários casos suspeitos de atletas mortos por problemas cardíacos. No caso do EPO, ao elevar o nível de hemoglobina, a densidade do sangue aumenta e o risco de ataques cardíacos é elevado. Os testes de antidoping genético são ainda muito controversos e complicados. O desenvolvimento de técnicas para coibir o doping genético ainda é muito caro e levam anos de pesquisas. Porém, o COI mostra toda a sua preocupação com a evolução do doping genético.

Exame de doping genético
Cientistas das universidade de Tübingen e Mainz, na Alemanha, desenvolveram um exame de sangue capaz de detectar o doping genético de forma confiável.
"Pela primeira vez, está disponível um método direto que utiliza amostras de sangue convencionais para detectar o doping pela transferência de genes. Ele é eficaz mesmo se o doping real ocorreu até 56 dias antes," diz o Dr. Péricles Simon, um dos membros da equipe. "Isso representa um método de custo relativamente baixo para detectar vários dos genes mais comumente usados na dopagem."
Até agora, era impossível provar que um atleta tivesse passado por um doping genético. O estudo mostrando a criação do novo teste para doping genético estudo foi publicada no site da revista científica Gene TherapySegundo o estudo, o teste fornece respotas claras do tipo "sim" ou "não", baseado na presença ou na ausência dos chamados DNA transgênicos em amostras de sangue.
O que é doping genético
Em vez de tomar uma substância que melhore seu desempenho, no doping genético o atleta recebe um DNA transgênico que força seu próprio corpo a produzir a substância desejada.
"O processo de inserção de genes individuais em células específicas do corpo vem da ideia de curar doenças graves. Imaginava-se que só seria possível detectar o doping genético pela transferência de genes usando um procedimento analítico indireto extremamente dispendioso no campo da medicina molecular," explicou o professor Michael Bitzer, coautor da pesquisa. O DNA transgênico - ou DNAt - não se origina da pessoa que está sendo examinada, mas é transferido para o seu corpo - muitas vezes usando vírus como meio de transporte - para criar substâncias que melhorem o desempenho, tais como a eritropoietina (EPO), para a formação de glóbulos vermelhos.
"O corpo de um atleta dopado geneticamente produz sozinho os hormônios que melhoram o desempenho, sem a necessidade de introduzir substâncias estranhas ao corpo. Ao longo do tempo, o corpo torna-se seu próprio fornecedor de doping", explicou Simon.
Teste antidoping genético
"O desenvolvimento de um método confiável para a detecção de mau uso da transferência de genes será usado para garantir que esta nova tecnologia, da qual os efeitos colaterais são apenas parcialmente conhecidos, seja usada exclusivamente no tratamento de doenças graves", disse Bitzer.
O funcionamento do exame para detectar doping genético foi comprovado em um chamado teste de especificidade, em 327 amostras de sangue colhidas de atletas profissionais e amadores.
Os pesquisadores acreditam que agora os atletas deixarão de tirar vantagem do uso da terapia gênica para fins de doping. "No mínimo, o risco de ser descoberto meses depois da transferência de genes ter ocorrido deve intimidar até mesmo os dopados mais ousados", acredita Simon.
FONTE: Redação do Diário da Saúde

 

contato: 
email:lucianofisiol@gmail.com
        facebook: luciano sousa lucianosousa


Nenhum comentário: